quinta-feira, 5 de maio de 2011

Dor de quê?




Titi acordou naquela manhã com uma incrível dor nas pernas. Preocupado, foi procurar a mãe, que entre panelas e copos, aprontava o café da manhã.

- Mãe...

A frigideira chiava enquanto fritava os ovos e ao mesmo tempo, portas batiam na procura de um pano que salvasse o fogão do leite derramado.

- Mãe...

- O que é Titi! Não vê que estou ocupada?

- Por que minha perna está doendo?

- Não sei! Pergunte ao seu pai!

Titi levantou-se da mesa e dirigiu-se até a sala, onde confortavelmente seu pai lia o jornal, mergulhado em pensamentos cheios de letras e figuras estranhas que sempre apareciam na primeira capa.

- Pai...

- Hum...

- Por que as pernas doem?

Sem afastar o jornal do rosto, soltou uma frase que mais parecia um gemido.

- Porque estão crescendo.

Titi voltou seu olhar para seu pequeno aquário de peixe beta. Coitadinho, vai ver que por esse motivo ele ficava tão quieto, sendo que havia crescido muito naquela semana.

- Você acha que por esse motivo o Glub parou de nadar?

Impaciente, o pai gritou:

- Beto, vem aqui ajudar seu irmão, por favor! Vai lá, vai Titi!

Titi foi ao encontro do irmão, que no quarto, deitado entre caixas coloridas, jogava o vídeo game sem respirar. O barulho dos tiros era ensurdecedor.

- Beto, porque o Glub parou de nadar? Você acha que está com dor de crescimento?

Beto não desviou os olhos da batalha.

- Ah... Vai ver ele está velho. Quando esses bichos ficam velhos, eles param de nadar e depois morrem.

Titi sentiu-se confuso. Seu peixe estava dolorido, velho e por esse motivo já nem conseguia nadar. Com certeza, ele em breve, não conseguiria mais andar também.

Voltou cabisbaixo para a cozinha e foi ao encontro da mãe, que amassava a banana no prato com toda sua força.

- Mãe... Você acha que vou morrer?

- Que isso menino! De onde tirou essa besteira?

- É que meu pai e o Beto disseram que quando a gente cresce, fica velho, cheio de dor e morre!

Irritada, a mãe arrancou o avental e foi tomar satisfações com o marido.

- Jonas, que história é essa de ficar falando mal do meu pai para o Titi? Você devia ser o primeiro a dar o exemplo de como respeitar os mais velhos! Levanta daí e vem tomar café!

Jonas levantou-se da cadeira e pisando firme foi falar com Beto:

- Beto, poxa, dá para ficar de boca fechada! Quando te contei do seu avô, não era para ficar espalhando para todo mundo! Sua mãe me deu uma bronca, oras! Levanta daí e vem tomar café!

Beto chateado desligou a televisão. Principalmente porque não sabia o que havia feito de errado.

Chegou à mesa e estavam todos sentados, num silêncio sombrio.

Titi quebrou o gelo.

- Mãe... Minha perna está doendo!

A mãe carinhosa abraçou o filho.

- Ah querido... É porque ontem você andou muito de patins! Logo logo, vai passar.

Titi gargalhou ao recordar-se do dia no parque, e todos sorriram com as lembranças do fim de semana.

O peixinho Glub, por sua vez, agradeceu em silêncio.

6 comentários:

  1. Haha, adorei Eliane!!!
    Muito divertido o texto, além de ser uma homenagem às mães. *--*
    Beijos
    Tarsila

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  2. Interessante a historia, lembrei da minha materia de comunicação. Quantos desencontros por algo bem simples. Por isso objetividade é algo muito bom.

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  3. Boa noite minha cara Eliane!
    Muito legal esta história, como sempre esbanjando talento.
    Abraços!!

    http://devoradordeletras.blogspot.com/

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