quinta-feira, 10 de maio de 2018

Números são números...




Número são números... Vieram da antiguidade e desde então têm transformado a vida de milhões de pessoas. Seja na taxa de glicose, na idade, na Receita Federal ou na conta bancária. A verdade é que os números sempre foram responsáveis por classificações, distinções, por separar o joio do trigo, o preto do branco, o ouro do lixo e o chique do brega. Somos mais ou somos menos. Não importa o que existe escondido no seu rosto, quantos números tem a sua conta bancária talvez seja o suficiente para mudar todo um conceito ou uma oportunidade. Quantos anos você tem talvez seja um fator preponderante na hora de saber se uma relação será digna de respeito ou de desprezo. Números... superficiais, mas sempre eles. Eles mandam e fazem o mundo girar. Milhões na conta, mais um filho, menos um dia de vida... Eles regem o universo. Mas se existe um número que faz meu chão abrir é o do seu telefone. Esse, quando aparece na minha tela, faz todo o resto parecer bobagem. E todos os outros, que talvez façam algum sentido para humanidade, não me arrancam nem a metade do sorriso que foge de minha boca quando me deparo com o seu. Ah... se um dia eu tivesse que escolher apenas um número nessa vida, eu nem hesitaria em responder, meu número é você.


sexta-feira, 9 de março de 2018

No Dia Internacional da Mulher, uma homenagem aos homens


No Dia Internacional da Mulher eu gostaria de homenagear os homens que passaram pela minha vida. Todos eles. Desde o que me gerou e educou até os que nunca mais voltaram. Alguns me levaram ao céu, outros me provaram que o céu pode ser aqui mesmo, com os pés no chão. Tiveram os que me deram as mãos, os que a pediram em casamento e até os que necessitaram delas como apoio. Os que me valorizaram e os que me fizeram refletir... e muito. Mas uma coisa é certa, todos eles, mesmo os que só passaram de maneira fugaz, de certa forma me construíram. Uma soma de dores e alegrias que me faz agradecer todos os dias e, com todo orgulho do mundo, amar ser o que sou... mulher.


Tirinha do Nupi I


terça-feira, 6 de março de 2018

Concurso Literário FNDE


Poderão participar do presente concurso estudantes devidamente matriculados em turmas de ensino fundamental e médio das escolas públicas do Brasil, desde que atendam as normas do Edital e de seus anexos.

*Candidatos menores de 18 anos a contar da data de abertura das inscrições, devem apresentar autorização de seu responsável legal.

Poderão ser inscritas obras de literatura nos seguintes gêneros literários: poema; conto, crônica, novela, teatro; romance; memória, diário, biografia, relatos de experiências; história em quadrinhos.

As inscrições serão realizadas unicamente por meio eletrônico, nesta página. O período de inscrição inicia-se em 15 de dezembro de 2017 e encerra-se em 02 de abril de 2018.

Para a homologação da inscrição, as redes de ensino devem realizar o cadastro do coordenador do livro.

Para saber mais acesse:.

http://www.fnde.gov.br/concursoliterario/concurso.html



Atemporal (Ultima parte)





Ainda escovava os dentes olhando-se no espelho, repassando todos os acontecimentos do dia. As perguntas vinham como um vendaval em sua memória... Como ela a conhecia tão bem? Como pode se apaixonar? O Livro... Porque o interesse no livro?
Os olhos de Amanda arreagalaram-se. Comprara aquele livro em um Sebo no centro da Cidade. Lembrava bem do dia em que o encontrou perdido na prateleira empoeirada, no canto escuro da loja. Quando foi ao caixa...
— Esse livro é uma raridade. É um dos mais antigos da loja.
Amanda ignorou o senhor atrás do balcão. A cabeça andava apressada com a competição pelo novo cargo da empresa.
—Quanto é?
O vendedor permaneceu em silêncio.
— Esse livro está na família há anos. Acho que meu tataravô o guardava em sua própria biblioteca. Ele sempre disse que era especial porque dentro tem uma foto de um casal e se alguém, algum dia comprasse, seria abençoado com o amor vivido por eles.
Amanda correu para o quarto. A foto! Não podia ser. Começou a tirar as coisas de dentro da gaveta da cabeceira. As mãos tremiam. Com a adrenalina percorrendo suas veias, jogou tudo no chão... até ver a foto. Lá estava ele... Era Eduardo sorrindo. Era ele na foto. Uma foto amarelada pelo tempo. Se recordava bem que se apaixonara pelo sorrido do rapaz que um dia fora dono daquele livro.
Soltou um grito com o soar da campainha. Ainda tremia ao se aproximar da porta e quando viu o rapaz pelo olhos mágico, suas pernas bambearam.
— Quem é você? — disse com a voz trêmula, através da porta fechada.
— Amanda, por favor... Deixa eu me explicar. Abre a porta.
— Não! Quem é você?
— Eu sou exatamente quem você pensa que eu sou... só preciso explicar. Confia em mim... O que eu posso adiantar e que sei muito da sua vida, que me apaixonei por você e que eu realmente acredito que tem talento para assumir a empresa...
A porta abriu-se devagar. O rosto de Eduardo perdeu a cor quando viu a foto nas mãos de Amanda. Com os olhos marejados, entrou devagar e sentou-se no sofá, colocando a cabeça entre as mãos. Respirou fundo.
— Vou tentar do começo. Pode parecer loucura, mas você tem que acreditar em mim.
Amanda sentou-se ao lado do rapaz.
— Minha família carrega uma herança... Não podemos tirar fotos. Nossas almas ficam aprisionadas no papel. Ninguém em minha linhagem sanguínea pôde perpetuar momentos, guardar recordações. Nunca, nem uma foto sequer, Amanda. Essa foto, que estava dentro desse livro, foi um erro. Barbara foi uma mulher especial para mim. Foi um sentimento genuíno, grande... Mas ela, com a sua maneira egoísta de amar, mesmo sabendo da minha incapacidade, tirou a foto. Não acreditei que ela fosse capaz de me aprisionar dessa maneira. Ela alegou que não podia viver sem mim, que precisava de uma recordação, mas naquele momento ela me perdeu. Eu não queria aquele amor medíocre, possessivo... — levantou o rosto e olhou para Amanda. — Eu a vi morrer, eu vi todas as pessoas da minha família virarem pó, gerações se despediram de mim. Não queira saber há quantos anos vejo minha vida passar na esperança de um dia achar quem comprou aquele maldito livro!
Amanda estava absorta pelas palavras do rapaz.
— Venho vivendo como qualquer outra pessoa. Montei minha empresa, fingindo passa-la de geração para geração... Sempre eu no comando. Meu Deus, como que queria sumir, desaparecer.  — esfregou os olhos. — Então... depois de gastar muito dinheiro descobriram onde estava o livro. O vendedor, um senhor me contou sobre a mulher que comprara o livro. — Eduardo olhou para Amanda. — Lá estava seu nome.
Amanda enxugava as lágrimas enquanto mantinha o rosto baixo. Apesar da loucura, estava apaixonada.
— Eu te segui desde então... Por onde você andava, o que você fazia, como você fazia... O que te motivava, o que te encantava. E no fim... eu me apaixonei.... perdidamente.
Amanda olhou para Eduardo. Enxugou o rosto e segurou-lhe as mãos. Ele a puxou com força e beijou-a de maneira urgente e possessiva. O amor entre eles era visceral, atemporal. A dor daquele beijo era físico. Ele a afastou.
— Amanda... Eu sei que o que vou pedir não faz o menor sentido, mas guarda essa foto. Eu não quero me separar de você. Eu não suportaria viver sem você. Por favor...
— Mas, Eduardo, e o que será de nós? Você me verá envelhecer, morrer... e depois? — gritava Amanda, inconformada com a situação.
Ele caminhava de um lado para outro da sala na tentativa de raciocinar de maneira lógica.
— Amanda, nós podemos ter um filho. Um filho nosso! Eu posso cuidar dele, vê-lo crescer! Uma vida que eu sempre quis!
— E depois? Ele também vai envelhecer! — Segurou Eduardo pelo rosto. — Por favor... entenda que o que vou fazer é porque amo você demais.
Eduardo enxugava as lágrimas, enquanto confirmava com o rosto.
Amanda tentava acalmá-lo, passando as mãos em seu rosto vermelho. Beijava-lhe os olhos, o rosto, a boca. Queria sentir um pouco mais do homem que parecia ser parte de seu corpo.
— Eu não consigo! — murmurou enquanto se dirigia para a porta.
Abraçaram-se por longos minutos. Beijaram-se, riram, choraram juntos.
Amanda pegou-o pelas mãos e despediu-se. A última imagem foi o rosto do homem que tanto amava, coberto de lagrimas, desaparecer atrás da porta.
 Amanda jogou-se no chão e contorceu-se. Podia deixar as coisas como estavam. Iria viver a vida inteira com o homem que amava, ter filhos, netos... Mas era egoísmo ver Eduardo perpetuar a dor de ver todos os que mais amava, morrerem. Olhou pela janela o carro sumir na esquina. Andou até o quarto, pegou a foto do sorriso que mais a encantara em toda sua vida e rasgou devagar, como se rasgasse parte de seu corpo, que agora estava em pedaços.
+++

— Senhores... Bom dia. Como sabem, desde que o Sr. Eduardo Freire deixou nossa empresa temos trabalhado com o Vice-Presidente da Soft Business. Tem sido dias difíceis, trabalhosos, mas emocionantes.
Amanda olhava para baixo. Não escutava direito as palavras do Presidente. Segurava em suas mãos o pen drive com o projeto de trânsito. Apesar do rosto inchado e das noites mal dormidas, estava de pé e lúcida.
— Mas, apesar de todo o stress, anuncio que o projeto foi concluído. Amanda fez alguns ajustes e, com a aprovação de todos, ganhamos a concorrência. A Faces agora passa a ser a segunda maior prestadora de serviços publicitários para o Governo Federal e eu gostaria de pedir uma salva de palmas para a nossa nova Diretora de Marketing da Faces Marketing e Comunicação.
Amanda levantou-se. Um soar de palmas efusivo preencheu a sala. Acenou modestamente para todos enquanto apertava o pen drive nas mãos. Deveria estar feliz, mas a saudade era algo que ainda norteava seus dias cinzentos.
+++
Quando se dirigia para o elevador, o Vice-Presidente da Soft Business aproximou-se.
— Amanda Castro? Por favor, desculpe-me incomodá-la, mas o Sr. Feire pediu que se um dia a senhorita chegasse ao cargo de diretora, que eu deveria entregar-lhe esse envelope.
O coração de Amanda quase pulava fora do peito só de ouvir falar no nome de Eduardo. Ela agradeceu, e assim que entrou no carro, respirou fundo e abriu o envelope.
“ Amanda, amor da minha vida... de todas elas,
Não saberia dizer onde estou, o que aconteceu comigo, o que foi feito de mim. Posso garantir que minha vida, em todos esses anos, se resumiu ao pequeno espaço de tempo que vivi com você. Estou feliz. Conheci o que é o amor, em sua grandiosidade. Aquele amor cantado, idealizado, poetizado... Isso não foi, não morre, não desaparece. Mas conheço a finitude da memória e tenho quase certeza de que daqui alguns anos, vou ser apenas uma lembrança, uma imagem desbotada. Também não vou ser egoísta. Você é uma mulher linda, jovem e ainda terá filhos, netos e histórias eternizadas em fotografias. Talvez você ame alguém como eu te amei, mas mesmo assim, deixo uma lembrança de uma pessoa que levou parte de você em um beijo que não se perde nem na eternidade.
PS: Eu sabia que a diretoria seria sua.
Com todo o amor do mundo.
Eduardo Vasconcelos Freire”

Amanda enxugou as lágrimas e quase desfaleceu ao ver na outra página da carta, o desenho de Eduardo. Como não podia ser fotografado, pediu que algum artista o desenhasse. O sorriso estava lá, tal qual como ela se encantara. Apertou o papel contra o peito e soluçou até achar que não tinha mais forças. Respirou fundo e ligou o carro. Tinha uma longa noite pela frente. Amanhã seria o primeiro dia como Diretora da Faces.


FIM

segunda-feira, 5 de março de 2018

Abra os olhos





Se um dia desses, aparecesse um papel na sua frente onde estivesse escrito a seguinte frase: "Sinta-se feliz, perceba que você pode ir além", como você reagiria? 

Chutaria o papel e seguiria sua vida normalmente, ou...Perceberia que a vida está abrindo seus olhos? 

Existem pessoas que nunca descobrirão sua capacidade de vencer os obstáculos porque constantemente dão ouvidos à uma voz dentro de suas cabeças que gritam mais alto e cegam seus olhos para as oportunidades. 
Se dermos uma lida na biografia de grandes vencedores, pessoas que alcançaram seus objetivos, acharemos em TODOS um ponto em comum: A perseverança! 
Perseverança é aquela locomotiva que empurra suas pernas todos os dias em busca daquilo que você julga ser ideal e, como toda locomotiva, não cessa até chegar onde precisa! 
Todos vencedores foram homens destemidos, visionários do sucesso e souberam enxergar os "papéis" a sua frente. Estavam abertos a novas tentativas, a caminhos diferentes, contanto que os levassem ao seu único e verdadeiro conceito de felicidade. 
Na maioria das vezes, estamos todos perdidos nos atalhos e retornos da vida, porque não sabemos claramente onde se encontra nossa estação de chegada e, não sabendo aonde ir, não temos como impulsionar nossos dias em busca de nossos sonhos, tão obscuros e inconstantes. 
Existem também pessoas que sabem onde querem chegar, mas tem medo do que podem encontrar no fim da jornada...falta-lhes ousadia. 

Mandela certa vez escreveu: 

" Nosso grande medo não é o de que sejamos incapazes. 
Nosso maior medo é que sejamos poderosos além da medida. 
É nossa luz, não nossa escuridão, que mais nos amedronta.... 
...Bancar o pequeno não ajuda o mundo. Não há nada de brilhante em encolher-se para que as outras pessoas não se sintam inseguras em torno de você. 
E á medida que deixamos nossa própria luz brilhar, que inconscientemente damos às outras pessoas permissão para fazer o mesmo.'" 

Um amigo meu conseguiu juntar a ousadia e a persistência e hoje se encontra realizado e feliz com suas conquistas. Quem é ele? O mesmo que recebeu a frase do início do texto em sua última viagem.
E sabe quais foram as últimas palavras dele antes que eu pudesse me colocar a escrever esse post? 
"Embora esteja feliz, tenho certeza que posso ir muito além.'' 


Não jogue fora todos os papéis que aparecem pra você...Se chegaram em suas mãos, é porque tem algo a dizer. 

Wish you were here




Não era para ser. Era muito leve. Tão leve que voou na primeira esquina. Não suportou nem mesmo a brisa tênue da manhã que sobrou da tempestade. Bastou o sol clarear a fantasia para a realidade empurrar a vida de volta ao trilho, essa locomotiva pesada que carrega histórias nem sempre tão frágeis. Não foi dessa vez que a faísca formou a chama que arde. Ardeu sim, mas era débil, fugaz, apesar de raro. Nem toda a sintonia do mundo pode ajudar. E mais uma memória não foi capaz de se formar para perpetuar o que de fato faria a diferença na vida dos dois. Nem dele, nem dela. Ficou lá, no meio da fotografia que um dia se apaga, sem peso, sem tudo o que poderia ter sido. Se a exigência era leveza, foi tudo o que restou. Um conceito vago no meio do oceano de possibilidades, negadas pelo medo, pela dor ou pelo peso que nunca teve. No fim das contas, o que era para ser apenas leve, a vida levou.



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