terça-feira, 4 de outubro de 2011

Mais uma dica valiosa!


Quando não estou escrevendo e trocando ideias valiosas com meus queridos leitores, gosto de procurar artigos, dicas e experiências pelo vasto mundo da internet. Assim, além de conhecer outros amigos de profissão, ainda aprendo muito. Por esse motivo, vou compartilhar com vocês um artigo muito interessante publicado no site da Scostt Publishing. 


Espero que os novos escritores desfrutem tanto quanto eu!

Mostre, não conte.

"Onde quer que vá,conferências de escritores, feiras, salas de aula da faculdade, grupos de escritores ouvem esta máxima da escrita. “Mostrar” é geralmente considerado como o uso de detalhes vívidos e que envolvem os sentidos. Portanto, pinte um retrato brilhante descritivo para os leitores: a riqueza de uma paisagem, o choque de uma decepção em um novo casamento, os fogos de artifício de raiva ou ódio entre os personagens A e B. “Contar” é geralmente considerado como a ausência de narrativa detalhista insípida. Só serve para explicar o que está acontecendo na história: quem está se relacionando com quem, onde a cidade está localizada, como o personagem C ganhou um apelido, e assim por diante. 

Nenhuma dessas caracterizações está totalmente correta. “Mostre, não conte” é uma diretriz e não uma regra. “Mostrar” pode na verdade revelar o personagem e a trama de uma forma dinâmica. No entanto, “Contar” muitas vezes pode fazer a mesma coisa, desde que você encontre as palavras certas. Mostrando e Contando são igualmente técnicas descritivas poderosas e importantes. Antes de explorar as suas possibilidades, vamos rever as suas diferenças.

Qual é a diferença?

Mostrar e Contar são o coração e a alma da descrição, mas muitos escritores inexperientes têm dificuldade em discernir a diferença entre eles. O exemplo a seguir deve dar-lhe uma boa idéia de como essas técnicas são diferentes. Imagine que você tenha criado um personagem pouco timida chamada Alice, a quem você apresentar através da técnica de “dizer”:

Versão-um de CONTAR: Alice era uma jovem tímida que parecia um rato. Ela foi baixa e magra, com cabelos castanhos, olhos pequenos e um rosto pontiagudo. Ela sempre espiava porta adentro antes de entrar em uma festa, dando-se a chance de fugir, caso ela não visse ninguém que conhecia.

Agora tente esta introdução novamente, desta vez utilizando a técnica de “mostrar”:
Versão dois Mostrando: Alice pairou na porta do apartamento de Ronaldo, queixo levantado, pés minúsculos equilibrada em seus dedos. Ela olhou para dentro, diminuindo a intensidade do som novo de Ronaldo. Ela respirava rapidamente, seus olhos negros corriam para trás e para frente, como se para manter seu rosto em movimentos pudesse impedir que ela caisse. Quando ela finalmente viu Ronaldo sorrindo se aproximando, ela correu para a taça de Punch e seus sapatos baixos fazendo um som de arranhar a madeira polida.

Na versão Um, você diz aos leitores que Alice parece e age como um rato; na versão dois, você a mostra em atitude de um camundongo: olhos negros, rosto tremendo na ponta dos pés, som de sapato se arrastando no assoalho.

Cada versão é bastante útil, mas cada um também vem com problemas em potencial. Na versão Um, a descrição de Alice é precisa, mas superficial: tímida, cabelos curtos e castanhos, olhos pequenos. A passagem nos induz a imagem de “espreitar” atrás da porta, em seguida, perde o folego novamente com uma explicação lenta: “dando-lhe uma chance de fugir…” Os leitores não podem realmente “ver” Alice aqui. Você está fazendo uma pausa para dizer-lhes algo sobre Alice para que a próxima parte da história faça mais sentido. Quando finalmente Alice entra na festa e se esconde atrás de um vaso de plantas, os leitores entendem porque ela está fazendo isso: ela é tímida como um camundongo. Esta explicação é boa, por enquanto. Você não cometeu necessariamente um erro ao “contar” aos leitores como Alice se parece. Mas se as descrições subseqüentes tomam a mesma forma (Reginaldo era alto e triste e parecia um ganso; Evelyn parecia uma galinha depenada e tinha um temperamento para combinar), sua prosa vai começar a parecer plana e expositiva. Você está explicando muito na frente, ao invés de deixar os personagens se revelam através de suas palavras e ações. Os leitores vão se sentir como se estivessem assistindo personagens em uma tela, ou folheando fotografias de personagens, ao invés de entrar na história e habitar o mundo dos personagens.

Na versão Dois, por outro lado, você permite que os leitores entrem no mundo de Alice. Podemos sentir o nervosismo dela por causa do movimento e do som na descrição: ela fica na ponta do pés, paira,arranha o assoalho e se encolhe. Novamente, não há nada de errado com essa passagem. Na verdade, ela retrata tão vividamente Alice que podemos facilmente imaginar-nos na porta da festa com ela. Mas cuidado com este tipo de “mostra”. Não exagere. Dependendo do que acontece a seguir na história, você pode se prolongada por muito tempo na porta. Talvez Alice não seja o personagem principal e tudo que for mostrado ficará nos holofotes, longe de alguém mais importante. Além disso, mostrar muito pode começar a parecer auto-consciente, como se você estiver brandindo o seu arsenal de símiles e metáforas apenas em partes. Seus personagens podem até desaparecer no processo. Não deixe que seu estilo de prosa sobrecarregue a história que queira contar. Muito a “Contar” pode achatar a sua história. “Mostrar” demais pode subjuga-la. O que um escritor consciente deve fazer?

Uma combinação de ambos.“Mostrar” e “Contar” geralmente produz a melhor descrição:
Combinação: Alice parou à porta do apartamento de Ronaldo, com todo auto-controle de um rato do campo. Com as mãos entrelaçadas na cintura, ela ficou na ponta dos pés e espiou para dentro para ver quem ela poderia conhecer.

A razão pela qual a combinação funciona muito melhor é que um pouco de “Contar” faz a prosa parecer menos difícil. Ao citar a analogia do rato no início, você pode dar a Alice qualidades mais sutiis. , a frase “auto-controle de um rato de campo” sugere um monte de outras qualidades de um camundongo: nervosismo, vigilância, furtividade, . Você não tem que “mostrar” cada um delas. Um par de pequenas mãos postas, postura na ponta dos pés, nos pinta um quadro quase completo. Não negue a seus leitores o prazer de preencher alguns detalhes próprios."

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Críticas, sejam bem-vindas.






Tornar-se uma pessoa pública é, antes de mais nada, abrir o coração para o mundo. Quando nos expomos, recebemos palavras lindas, de carinho... palavras de incentivo, com críticas construtivas... palavras que desestimulam e nos fazem pensar... É um aprendizado.

Inspirado nesse tema, encontrei um artigo no site do administrador Augusto Campos, que tem muito a acrescentar à todos nós. 


"Como reagir a críticas de maneira construtiva

É claro que há situações em que o que você precisa fazer é realmente refutar e discutir as críticas recebidas. Mas as dicas abaixo são para os demais momentos, aqueles em que você pode e deve reagir com tolerante elegância, aceitando de forma positiva a crítica feita sem intenção de ofender.
  • Segure a sua primeira reação: conte até dez, deixe passar 2h, aguarde para responder só amanhã… Sua primeira reação pode tender a ser muito mais emocional do que racional, e reduzir a chance de resolver algum eventual problema real, ou de ter algum aprendizado com a experiência. Às vezes é necessário morder a isca e entrar em um bate-boca, mas se você entrar em todos eles, pode até “ganhá-los” várias vezes, mas progredirá menos. Reagir a provocações pode ser importante, mas não é boa estratégia – quem sempre reage pode ser facilmente manipulado e conduzido.
  • Não desperdice o feedback: por mais mal-educada e inapropriada que a crítica seja, ela traz em si algum feedback – sobre o seu serviço, sobre você mesmo ou até sobre a pessoa que está criticando. Identifique-o, e atue sobre ele, mesmo que você não vá responder ao autor.
  • Agradeça, mesmo que sob o ponto de vista de quem fez a crítica, o ato em si seja um desperdício. A crítica é um feedback importante, e pode contribuir para a melhoria do seu desempenho, mesmo que a intenção dela seja ofender e magoar. Agradecer, e de fato levar em conta a informação recebida, pode ser uma boa resposta inicial, principalmente quando você tem certeza de que, a longo prazo, você será cada vez mais bem-sucedido na iniciativa que está sendo criticada.
  • Identifique o núcleo da questão. Muitas vezes, uma crítica válida vem embalada em uma série de camadas de ofensas. Identificar e responder somente à crítica que é o centro da questão é uma forma energeticamente econômica de passar a mensagem de que o reclamante não está à altura de ofendê-lo, e de que manifestações futuras podem se concentrar no aspecto crítico da questão, dispensando as tentativas de ofender, porque elas não colam mesmo.
Na maioria das vezes, as críticas viciosas são reflexos de problemas de quem está criticando, e não de algo que a pessoa que está sendo criticada fez, ou deixou de fazer. Mas só podemos controlar a nós mesmos, e não aos outros, portanto cabe a cada um de nós saber como prefere lidar com a situação."

Sensacional, não é?


sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Tempo corrido...


Tenho escrito pouco para o blog ultimamente, por diversos motivos. O principal é que estou em fase de conclusão do segundo volume da trilogia "O Portal". Quando escrevemos, o envolvimento com a obra é muito grande, e passamos a respirar cada palava, cada sentimento que nasce de nossa dedicação. As noites já não são as mesmas, pois o pensamento viaja pela história insistentemente e os dias, esses vivem de frente para o computador, esse amigo solitário que transforma sonhos em realidade.

O tempo é curto para dividirmos entre a escrita, a leitura, a família, os eventos... Falando em eventos, a XV Bienal foi sensacional. Conheci muitos autores, editores, livreiros, mas o que mais me emociona, sem dúvida, é o carinho dos leitores.

Já estive em várias profissões, como sabe, mas escrever é a que mais me desperta emoções: Durante o processo criativo, na fase de produção e editoração, e por fim, quando as pessoas nos dão o amável retorno do trabalho.

Não tenho palavras para agradecer os recadinhos no twitter, a força no facebook, o apoio da mídia e dos amigos. Ah... o que seria da vida sem a batalha que nos fortalece e nos faz crescer.

Acredite... persevere e tenha sempre força e coragem. Seus sonhos podem se realizar.


"Alguns homens vêem as coisas como são, e dizem 'Por quê?' Eu sonho com as coisas que nunca foram e digo 'Por que não ?" - George Bernard Shaw



quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Prêmio SESC de Literatura 2011/2012



Revelar novos talentos e promover a literatura nacional são propósitos do Prêmio SESC de Literatura. Lançado pelo SESC em 2003, o concurso identifica escritores inéditos, cujas obras possuam qualidade literária para edição e circulação nacional. Além da divulgação das obras, o Prêmio SESC também abre uma porta do mercado editorial aos estreantes: os livros vencedores são publicados pela editora Record e distribuídos para toda a rede de bibliotecas e salas de leitura do SESC e SENAC em todo o país. Mais do que oferecer uma oportunidade a novos escritores, o Prêmio SESC de Literatura cumpre um importante papel na área de cultura, proporcionando uma renovação no panorama editorial brasileiro.

1.  O vencedor de cada categoria terá sua obra publicada e distribuída comercialmente pela editora Record, com uma tiragem inicial de 2 mil exemplares. 
2.   O autor vencedor de cada categoria terá direito a 10% do valor de capa da obra quando da sua comercialização em livrarias. Parte da primeira edição será adquirida pelo SESC para inserção no acervo de bibliotecas da instituição.



domingo, 24 de julho de 2011

Aniversário



Aniversário é sempre uma data especial, talvez porque seja sempre uma vitória vencermos em um mundo cheio de ataques viróticos, bacterianos, assaltos, atropelamentos... Gracinhas à parte, um ano de vida a mais com saúde, deve sempre ser comemorado. 

Convenhamos, não tem nada melhor que receber recadinhos e telefonemas de pessoas queridas, carinhosas e fofas! Eu  a.d.o.r.o !

Contrariando minha percepção de que com o passar dos anos, datas como natal, ano novo e aniversário tornam-se um tanto repetitivas, tive uma comemoração especial esse ano. Foi maravilhoso e, com certeza, o carinho de todos vocês contribuiu para que isso acontecesse. Como foram lindos os votos, as palavras carinhosas e o amor que fluiu através da tela do meu computador. Recebi "mensagenzinhas" tão lindas, tão lindas! 

Ah se eu pudesse fazer aniversário pelo menos duas vezes por ano, claro, sem que isso contribuísse para que mais rugas aparecessem no meu rosto, seria o paraíso! 

Peço a Deus que todos vocês tenham muitos anos de vida, e que eu consiga retribuir todo esse carinho.


Vamos ao sorteio:

Resolvi de última hora fazer um sorteio relâmpago de um exemplar do meu livro "O Portal" no twitter, mas como aniversário só acontece uma vez ao ano e no próximo estarei com "O Portal 2" no mercado... Porque não sortear logo 2 exemplares? 

A promoção foi relâmpago e pouco divulgada, por esse motivo não tivemos muitas participações, o que aumentou ainda mais a chance de todos!

Sendo assim, aqui vão os vencedores:









Aqui vai um lindo texto que fala sobre aniversário. Diz assim: 

"Não importa quantos anos você completa em seu aniversário. 
Você sempre será jovem enquanto o amor florir em sua vida, 
Enquanto irradiar paz, esperança, otimismo a todos os que vivem ao seu redor. A continuidade da vida nunca se rompe: O rio corre e avança sempre até perder-se de nossa vista; 
Mas, lá bem longe ele leva consigo as mesmas águas que recolheu em outras terras. 
São estas mesmas águas, o dia-a-dia que vivemos, As que dão testemunho ao céu, aos vales e as montanhas a Deus, aos homens deste mundo, que o rio correu muito, mas não envelheceu! 
Não importa, portanto, quantos anos você viveu até agora... O importante é saber se ainda existe flor em sua vida: Fé, Esperança, Amor, Alegria, Otimismo... 
O importante é saber se você está contribuindo para tornar o mundo mais feliz ao seu redor. 
Prossiga sempre sorrindo, como estas águas marulhantes. O rio nunca pára, nem olha para trás e, sobretudo, nunca se esqueça: 
Um rio nunca envelhece."

Obrigada mesmo, à todos vocês, pelas águas que carrego comigo... Tenho muito orgulho por ser merecedora de amizades tão lindas. 


Beijos :*)




segunda-feira, 18 de julho de 2011

Meu amigo Bob



Daniel correu para o quintal assim que o dia amanheceu. Não conseguia conter a saudade do amigo que se encontrava deitado debaixo da sombra de uma mangueira frondosa.
Assim que o viu, Bob levantou eufórico, balançando todo o seu corpo peludo, eletrizado pela adrenalina que agora inundava seu coração carente.
 Desde que ganhara seu cãozinho de natal, Daniel sentia que entre eles havia uma cumplicidade, antes conhecida nos livros, mas só agora compreendida.
 — Bom dia, Bob. Dormiu bem?
Seu cachorro não falava, mas isso era apenas uma formalidade. Entendiam-se muito bem e, às vezes, ficavam horas conversando. Daniel ficava satisfeito diante das respostas implícitas no olhar alegre e carinhoso do amigo.

Sua família só ficara completa com a chegada de Bob que tornou-se um membro querido por todos. A mãe de Daniel, que fora quem mais rejeitara a ideia de ter um cachorro para acrescentar-lhe trabalho extra, era apaixonada pelo animal e os gritos constantes dela diante das trapalhadas do cão, eram motivos de muitas gargalhadas na família.
— Bob, larga a vassoura! Daniel...Pega o Bob!
E lá vinha a mãe correndo atrás dele pela casa. O pai de Daniel se fingia de morto e ficava inerte diante da bagunça. Adorava o clima festivo que o cãozinho trazia ao lar. Mas Daniel...Esse parecia não ter existido até sua chegada e bastava dar uma olhada nas fotos da casa para perceber que ali existia uma família feliz.

Numa manhã qualquer, ao chegar da aula, Daniel jogou a mochila no chão e correu ao encontro do amigo, porém o quintal naquele dia parecia estático. Não se via movimento algum, muito menos o mover alegre do cão que tanto amava. Podia-se escutar de longe os gritos do menino, apavorado pela ausência daquele que completara de maneira tão intensa a sua existência.
Ninguém conseguia consolá-lo, e apesar do pai de Daniel vasculhar todos os cantos do bairro, Bob não foi encontrado. Fotos dele foram colados nos postes da cidade e a notícia espalhada por todos os lados, mas ele nunca mais foi encontrado.
Foi difícil para a família se reerguer diante da tristeza do menino. Seu sorriso se perdeu no tempo e ficou escondido diante da sombra do cachorro desaparecido. Recolheram as fotos da casa, na tentativa de fazer Daniel esquecer mais rápido da tragédia, mas debaixo do seu travesseiro, os dois continuavam unidos como antes, numa fotografia colorida e borrada pelas lágrimas derramadas.

Depois de alguns longos meses, enquanto o pai de Daniel o levava para aula de inglês, o menino gritou para que encostasse o carro.
— Pai...acho que encontrei o Bob!
Lá estava seu cachorro, enrolado nas pernas de um menino de rua, que dormia confortável, aconchegado pelo calor dos pelos do animal que o encobria como um manto. O barulho do abrir da porta do carro fez com que Bob abrisse os olhos, e em um frenesi agudo, o cachorro correu de encontro ao seu verdadeiro dono, que de joelhos abraçava a outra metade do seu coração perdido. Não se sabe quanto tempo permaneceram ali, abraçados um ao outro, até que Daniel enxergou o menino parado, com lágrimas nos olhos, observando o seu presente ir embora.
Daniel, embaraçado, aproximou-se do menino de corpo magro. Não sabia o que dizer. E num movimento involuntário, arrancou a coleira de Bob e estendeu a mão para entregá-la ao guri.
— Não posso dar meu amigo, mas...quem sabe um dia você não encontra um que seja seu.
O menino agarrou a coleira como se fosse um pedaço daquela lembrança feliz que agora entrava no carro, como se o objeto pudesse aliviar parte de dor que sentia na despedida.
 Através da janela, Daniel observou a imagem do menino ficar cada vez menor. Queria poder curtir com mais felicidade a volta de Bob, mas algo dentro dele estava dolorido e nada podia curar isso.

Anos se passaram. Daniel andava apressado com uma caixa na mão quando subitamente parou perto de um campo de futebol, onde um “bando” de rapazes jogavam bola. Havia ali um lindo cachorro, peludo e alegre como seu falecido Bob fora um dia. Aproximou-se devagar e em seu pescoço estava a coleira, que logo ele reconheceu. Aquela que um dia fora de seu melhor amigo. Largou a caixa no chão e passando as mãos sobre o pelo dourado do animal, tentou não emocionar-se, lembrando-se do passado.
— Gostou do meu cachorro?
Daniel levantou-se num sobressalto ao se deparar com um jovem de porte atlético.
— Lindo. Tive um assim.
— Pois é. Esse cachorro mudou minha vida. Quando era pequeno não podia ter um desses, então movido pelo meu sonho, fui trabalhar num canil. Lá cresci, comecei a estudar e hoje sou veterinário. Flick foi presente de uma criadora famosa da raça. — O rapaz fazia carinho na cabeça do animal.
Daniel, emocionado com a historia resolveu ir embora antes que deixasse suas lágrimas escaparem e, em silêncio, agradeceu a atenção, indo de encontro ao carro.
— Só esqueci de contar que mais importante que o cachorro, foi a coleira. — continuou o rapaz.
Daniel parou e virou-se, a fim de escutar o resto da história, mesmo que agora as lágrimas corressem pelo seu rosto.
— Um menino...foi ele quem me deu a coleira. Graças a ela, eu quis tanto o cachorro. Nunca tive a oportunidade de agradecer.
Daniel sorriu. Trocaram agradecimentos em silêncio, meio que por telepatia, algo que só eles entendiam, mais ninguém.

Chegando em casa, um menino veio correndo de encontro ao carro de braços abertos.
— Papai... mamãe disse que você trouxe um presente pra mim!
Daniel pega seu filho no colo e abrindo o porta malas, tira a caixa e a coloca no chão. Quando abre, sai de dentro um cachorrinho, latindo feliz pela conquista da nova família.
O menino grita de felicidade e pega o cãozinho no colo.
— Papai, qual o nome dele?
— Não sei...que tal Billy?
Daniel sabia que agora sua família estava completa. Um dia chegaria a hora dele ir para o céu também e tinha certeza que Deus o estaria esperando ao lado de seu pai e sua mãe...mas sem o Bob, ah...não seria o paraíso, porque lá é onde estão os verdadeiros amigos.

Eliane Raye
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